Eu olhava o porta-canetas
E ele colorido, “florido”, parecia sorrir. Sorri de volta. Eu estava de
volta a tudo que me agrega: Meu apartamento pequeno no segundo andar, meus
livros e cadernos, meu café amargo e a companhia da mulher que eu tanto amo. Eu
sentia necessidade (e não só a falta), do que imaterialmente está nos lugares,
nas coisas e na pessoa que compõem o que sou (e que eu não podia esquecer).
Ardeu a vontade de saber mais, de acumular (e turbinar) o conhecimento,
tive sede de quietude e de imersão no que me faz sorrir (como escrever, ler e
fotografar). Foi assim que retirei o “Como se encontrar na escrita” da estante.
O empenho que estava sendo destinado ao sucesso alheio precisava voltar às mãos da
dona.
Servir aos outros é mesmo um dos atos mais bonitos que podem ser desempenhados
em um trabalho, mas aquela definição de servidora (de livre nomeação de exoneração) não me vestia mais. Quantas
vezes olhei da janela, pelas grades, e vi o céu tremendo? Eu já não conseguia
mais me organizar.
Para alguns, coragem. Eu só queria seguir sem pesos. Seria bom se os
outros já não mais forçassem aquilo que não serve. Que não privassem a vida. Escolher a si mesmo, todos os dias, deveria ser uma possibilidade, e não um privilégio. Deveria ser um ato comum como ligar um computador ou conferir uma xerox. Ou tão bom quanto limpar o cestinho de canetas e
reorganizá-las, como quem apronta um arranjo de flores.
Não é só o porta-canetas que está mais bonito (por dentro).
Eu também.
Para ouvir: Iluminar – Natiruts ♪
(Terceiro exercício do livro “Como se encontrar
na escrita”, de autoria da Ana Holanda: Registrar com meu celular uma imagem cotidiana simples e escrever sobre ela).

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