Sinto muito
(Diário de quarentena) O barulho da obra me incomodava. Não pelas batidas inconvenientes da semana inteira, mas porque o momento requer cuidados, não exatamente na piscina do vizinho. Cada martelada me lembrava que aquelas pessoas deveriam estar em suas casas, se o mundo fosse justo. A fila no Terminal Siqueira em Fortaleza era imensa. A da Caixa do centro de Iguatu, também. A maioria das pessoas não pode fazer home office , boa parte sequer tem trabalho. As marteladas e o tique-taque do relógio gritam no mundo silente. O vírus varreu as ruas para que as pessoas repensem suas vidas (dentro de casa). As que têm o privilégio disso, claro. Tenho feito isso há um tempo e reconheço o meu. Vi uma foto de um cantinho de estudos que consistia em uma mesa e uma cadeira simples, com um notebook em cima da mesa, sobre um Vade Mecum que servia de apoio. Todos esses objetos desgastados e rodeados de paredes não rebocadas formam o espaço de aprovação de um homem que hoje é Policial Rodov...