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Mostrando postagens de março, 2020

Sinto muito

(Diário de quarentena) O barulho da obra me incomodava. Não pelas batidas inconvenientes da semana inteira, mas porque o momento requer cuidados, não exatamente na piscina do vizinho. Cada martelada me lembrava que aquelas pessoas deveriam estar em suas casas, se o mundo fosse justo. A fila no Terminal Siqueira em Fortaleza era imensa. A da Caixa do centro de Iguatu, também. A maioria das pessoas não pode fazer home office , boa parte sequer tem trabalho. As marteladas e o tique-taque do relógio gritam no mundo silente. O vírus varreu as ruas para que as pessoas repensem suas vidas (dentro de casa). As que têm o privilégio disso, claro. Tenho feito isso há um tempo e reconheço o meu. Vi uma foto de um cantinho de estudos que consistia em uma mesa e uma cadeira simples, com um notebook em cima da mesa, sobre um Vade Mecum que servia de apoio. Todos esses objetos desgastados e rodeados de paredes não rebocadas formam o espaço de aprovação de um homem que hoje é Policial Rodov...

Contradições

Quando eu mais me contava, menos me conhecia. Quando eu falava mais, menos sabia. Quando eu mais me expunha, não era plena. Quando eu mais me afirmava, era insegura. Mais me perdia pelos caminhos. Quando eu estava mais rodeada de pessoas, frágeis eram nossos vínculos. Com um pouco de leitura, eu descobri que a felicidade é uma nota 7 (obrigada, Mark). Aprendi também que é perigoso acreditar que algo/alguém é a minha credencial para o mundo, pois se isso se perder eu também me perco. (Obrigada, Ana). Meditando a Palavra Dele, processei que assim como faxino minha casa, preciso limpar meu coração para retirar lembranças difíceis e erros passados, que não podem ser mudados. Quaisquer aflições devem ser entregues ao Coração Dele. É quando falo menos, ouço mais, registro poucos momentos, me encontro. Acredito que estou sendo julgada pela mudança, mas não é porque não estou sendo vista que não estou me abraçando. Nunca estive tão grata. Para ler: A felicidade é ...