Eu não sei se daí dá para ouvir as sirenes das ambulâncias cortando as ruas. Daqui dá para ouvir as sirenes desesperadas, o barulho das construções e das buzinas das motos (mesmo em lockdown ). Ao entardecer, ouço os pássaros e o alto-falante da igreja, com solos de saxofone que embargam a garganta. À noite eu já ouvi músicas dançantes dos vizinhos em som automotivo e rachas pela madrugada. São diferentes sons durante o isolamento. Cada um tem a sua forma de sentir e de soar. De março para cá eu arrumei a casa, lavei a louça, lavei as roupas, estudei, assisti lives , bebi, ri, chorei, fotografei, escrevi, tantas vezes que nem sei. Agora cheguei na fase mais difícil, de ver o distanciamento social virar quarentena comunitária, sendo a companhia dos eletrônicos a única possível. Com saúde, graças a Deus. Integro a seita liderada por Antônio Fagundes que acredita que quem entrou batata não vai sair cenoura desses dias. Perdi a visão romântica das pessoas e do mundo, não ceguei, enx...