Março acabou
Sempre gostei muito do mês de março. Primeiramente, é o mês do padroeiro da cidade pequena e sem muitos atrativos onde vivi a minha infância. Nesse mês muito mudava: acordávamos cinco horas da manhã com o som do sino e do megafone da igreja. O clima frio, as bandeiras, as procissões, as barraquinhas dos feirantes e o parque-de-diversões iluminavam nossos desejos de grandes chuvas. Em segundo lugar, é o mês o meu aniversário. A ariana da casa adorava quando o dia começava com sorrisos, abraços e felicitações. Melhor ainda se acompanhados de bolo e festa, não importava se estavam menos de dez ou dezenas de amigos reunidos, se havia sido planejado ou surpresa. Desde que fui morar na capital do Estado para estudar, diminuí minha presença na terra que me adotou, questionei comportamentos, dogmas, minha fé oscilou, desfiz amizades, fiz novas amizades, tive aniversários memoráveis e batidos. Pouco antes de voltar para a casa dos meus pais, há dez anos, não me reconhecia no espelho, mas ha...