Nesses dias, a lembrança do Facebook


Lembrou-me um encontro que tive com Andressa em 2016 (embora a postagem fosse de 2017). Ela se referia a mim como “minha sempre menina das calças boca de sino molhadas” e isso me deixou muito nostálgica. Parece que foi ontem que eu fui morar em Fortaleza sem que considerassem a minha vontade. Voltar a postar o que penso em um blog também pode aparentar nostálgico, mas é presente. Sempre escrevi em cadernos, em agendas e escrevia poesias na agenda do colégio ao invés das tarefas do dia, o que sempre era apontado por minha irmã. Uso a plataforma Blogger desde 2008, segundo meu cadastro.
Há 18 (isso mesmo, dezoito) anos o Brasil ganhava sua última copa do mundo, FHC era o presidente do país, a novela "O Clone" estava no ar (inclusive eu tinha o colar da Jade) e a Suzane Von Richthofen chocava o país com a morte dos pais. Era o meu primeiro ano do Ensino Médio. Foi no ano seguinte que conheci a Andressa, a Thaís e a Renata. A Pitty se lançava como cantora e amávamos suas músicas. Nossas vidas se resumiam e entrelaçavam em ligações que duravam três segundos, os torpedos eram os papéis de mão em mão durante as aulas e as conversas nos finais de semana eram em chats com internet discada.
A Andressa até hoje tem seus cabelos bem vermelhos e de longe era a mais engraçada e sociável. A Thaís, a mais estilosa com seu par de tênis all star de cano alto, pulseiras coloridas e sotaque paulista. A Renata era a mais rebelde e eu era a menina que estava sempre com uma câmera na mão convocando as outras até a loja de fotos mais próxima. Nenhuma de nós estrelaria na Sessão da tarde (até porque os filmes são americanos) e os filmes nacionais que estavam nos cinemas entre 2002 e 2004 (alguns que vimos juntas, até) já cansaram os telespectadores da Globo.
Hoje, na hora que era para eu estar descansando após o almoço, eu pesquisei sobre o falido colégio, como já o fiz outras vezes. Descobri, dessa vez, que havia um perfil no Instagram que reuniu alunos de outra sede em um pub. Tentamos reunir as pessoas da nossa sede também, há alguns anos, mas sem sucesso.
Fui imbuída nessa onda pelo livro que estou lendo (mas isso é assunto para outro post). Agradecerei sempre ter herdado da minha irmã o gosto pela fotografia. Gosto muito de ver as fotos desse tempo, embora não seja um hábito corriqueiro.
Nessa semana a filha do meu primo também mudou de cidade para cursar o Ensino Médio e eu lembrei dos meus primeiros dias de aula, uma criança assustada com o novo. Tive vontade de dar spoiler, mas vou apenas aconselhar que estude Português e Matemática como se não houvesse amanhã. Porque haverá. E ela vai precisar.
Se eu pudesse escrever uma carta endereçada à Patrícia de dezoito anos atrás, eu não escreveria. Morro de medo de um “efeito borboleta”. Mas eu queria observar uma cena daqueles tempos, in loco, com a maturidade de hoje. Eu iria sorrir tranquila. Ver a sede do colégio onde estudamos em ruínas hoje é algo que me dói o coração, mas ninguém apaga o que eu vivi (e a batatinha embebida de óleo que ficava na parada dos ônibus ainda sobrevive no centro da capital, ainda bem).

Somos para sempre. Minha amiga tem razão.

Para ouvir: Semana que vem – Pitty
Para ler (sobre o ano de 2002): Revista Glamour
Para ler (sobre o Colégio Evolutivo): Diário do Nordeste

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog