Me conta da tua estante*

- Ou dos teus arquivos –

(Diário de quarentena - 4)

Nos últimos dias apareceram fotos de estantes no Instagram, na aba de pesquisas. Não que eu esteja procurando alguma estante para comprar, mas de acordo com as minhas preferências de leitura saltaram fotos de estantes, com muitos e poucos livros. Elas queriam me dizer que esvaziavam quando os autores saiam das prateleiras.

Quantas mulheres você lê?

Foi um soco no estômago. Abri o meu armário e vi que dos livros que tenho comigo no momento, menos da metade foram escritos por mulheres. Lembrei que várias vezes falei que o Poder Judiciário é machista, mas não só (a sociedade brasileira é). Fóruns, universidades, congressos... Quantas mulheres você vê ocupando esses espaços?

Se a realidade atual me inquieta, preciso sentir e escrever melhor (e mais sobre). Preciso questionar ausências e compreender qual a mensagem deixada pelas escritoras (sejam do meio jurídico ou não). A única hipótese que tenho atualmente é que quando bancos e estantes são ocupados por mulheres, quando ler e escrever são atividades delas também, a desigualdade diminui e o mundo se expande.

A única certeza, que somos necessárias na literatura.

O título do texto foi parafraseado da música recomendada...

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