Sem listas

É domingo e eu acordo disposta a resolver um simulado. Ao abrir a prova de Língua Portuguesa, um sorriso. O texto a ser interpretado (100 coisas) é uma crônica da Martha Medeiros, uma das minhas autoras prediletas. Lembrei de um filme que assisti há muitos anos, Alta Fidelidade. Tanto o texto quanto o filme trazem a ideia de listas, de uma série de coisas a se fazer em n situações.

Ao ler o texto, ao ver o filme, dá vontade de sair criando listas. Tenho algumas imperecíveis: Lista de o que colocar na mala de viagem, lista de o que comprar no supermercado (objetividade é imprescindível, principalmente na pandemia); lista de músicas preferidas em plataformas musicais e de livros para ler. Eu procuro ser uma pessoa organizada, mas não sou o maior exemplo de.

Posso dizer que até gosto de listas - mas se há uma lei, eu quero subverter. E tem uma lista que eu odeio: É aquela que dita o que se deve fazer na vida, comparando-a a um checklist. Li em uma rede social, sem autoria atribuída: “Perguntam se já formou, se já casou, se já tem filhos... Como se a vida fosse uma lista de compras. Ninguém pergunta se você é feliz...”. A vida não é quantificável: não é lista de compras, receita de bolo, currículo lattes. A vida é mais do que o que eu entendo e, assim, não posso nem devo conceituar.

Nesses difíceis tempos em que toda hora é ditado o que fazer, eu não dei nenhuma dica em redes sociais... até por que não deixaria de ser mais uma regra.

Por aqui, sigo respeitando os meus limites; mas acabei por acatar, sem saber, a sugestão da Martha Medeiros no fim do texto já mencionado: Sonho com criatividade e muito penso em viver. Mesmo sem conceitos. E sem novas listas.

 

Para ler: O balcão da vida

Para ouvir: Céu azul - Charlie Brown Jr

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