Calma
Aprendi nos últimos dois anos a desacelerar e observar caminhos. Na pandemia as esperas comuns viram urgências e as urgências tomam o fôlego. O relógio é posto como inimigo. Sem oração pronta, pedi proteção aos que me são caros e aos que não conheço, coragem para os dias comuns e os extraordinários, sabedoria ao ler notícias verdadeiras e falsas, inteligência para distingui-las, racionalidade para não ser demasiadamente afetada.
Lembrei da Patrícia de vinte e três anos de idade que recebeu um santinho de Nossa Senhora do Equilíbrio, em um desses dias de Fátima. A Patrícia de quase trinta e três tem o santinho no wallpaper, mas às vezes vai direto ao navegador ou à pasta de documentos. Outras, entrelaça os dedos e tropeça nas palavras como uma criança embalada no berço pela mãe: Senhora, preciso de equilíbrio. Me livra do mal, do desânimo, do egoísmo. Dá-me calma, faz-me simples.
Preciso de tranquilidade para que a ideia ganhe forma, para receber a encomenda e para que meu amor chegue, abra a porta, me abrace forte. Somar forças no colo. Sentir amor, mas sentir mais cheiro do que saudade. Eu só desejo que o tempo passe e que o coração esteja em paz nos tempos de espera.
Quando chover, deixar molhar
Pra receber o Sol quando voltar ♪
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