as prateleiras saberão de nós

os corredores não estarão assustados

com a velocidade do carrinho

com os passos lentos e os olhos que passeiam nos rótulos (dos produtos)

nas mãos que se tocam

por vontade

nos sorrisos que decidem

se cabernet ou malbec


as prateleiras saberão de nós


elas já sabem que prefiro ravióli

que desvio a dieta, que esqueço de pesar (as frutas)

elas sabem de você, esperto, espreito

elas sentem seu cheiro e sabem que ele muda

se estou por perto (e eu estarei, escondendo chocolates)


e elas saberão de nós

elas sentirão a potência do simples

da música, da escrita e da vontade

de todas as formas possíveis (e impossíveis?)

de dois corpos arrepiados, ao mesmo tempo

todo tempo


elas saberão porque nos sabemos

porque, como cantou Alanis, eu não tive escolha a não ser ouvir você

e eu te quis quando te ouvi


elas saberão porque nos sabemos

porque, parafraseando Dave, você esperou aqui por mim

por muito tempo e não só naquela noite, entrou de cabeça


elas saberão porque tudo poderia ser real

assim

pra sempre

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